Há boatos de um sorriso – Por Dr. Ado

Toc.. toc… toc…
Podemos entrar?
Um senhor um tanto tímido diz que “sim” com a cabeça e avisa sua mãe:
– Tem visita pra senhora
Os doutores João Alfredo e Dr. Ado entram no quarto e se aproximam da senhorinha.
Dr. Ado diz pra ela em tom de voz mais baixinha:
– “Olha dona Dilma, estão rolando uns boatos no corredor de que a senhora tem um sorriso lindo, daí nós viemos ver se era verdade.
Ela disse bem séria: “quem está falando?”
Doutores: “Todo mundo, é um mundarél de gente falando isso… não acreditamos e viemos ver.
Dona Dilma olha para os doutores um tanto séria e abre um sorriso. Um sorriso em que os olhos também sorriram. Um sorriso que era esperado por todos naquele quarto. Um sorriso que tenho certeza, só existe aquele!
Dona Dilma parou uns segundos e deu mais um sorriso.
Os Doutores presenciaram e diagnosticaram que aquilo era sim um verdadeiro sorriso LINDO, e não eram boatos não, eram as mais puras verdades que falavam pelos corredores.
Então os doutores falaram para ele que tinham que organizar para todas as pessoas verem aquele sorriso.
Dona Dilma um tanto espantada disse: Não posso “RIR” lá, minhas pernas estão quebradas.
Doutores: Não tem problema, as pessoas virão aqui ver esse sorriso, a gente vai lá chamar! Vamos organizar tudo, vamos mandar um por um aqui para a senhora dar o sorriso.
Cada um que entrar aqui e olhar para a senhora, é só abrir um sorriso, pois foi a gente que mandou.
Dona Dilma concordou com o “acordo acordado no acordo que os doutores tinham acabado de acordar” e os doutores seguiram o plantão.
E assim termina mais um plantão, entre todos os fracassos da vida de um palhaço, sempre existe o momento em que se vira o jogo.Obs: No momento que a Dona Dilma abriu o primeiro sorriso vale lembrar uma frase que os doutores ouviram de um de seus acompanhantes: “Olha, que milagre, ela não ri por nada”
A diferença é que os doutores não acreditaram que isso fosse verdade, também não acredito em milagres,, acredito no poder do amor verdadeiro do ser humano. Daí sim, a partir disso, qualquer “milagre” acontece.

 

ONG Esquadrão da Alegria completa 10 anos

As vezes fica até difícil acreditar que passou todo esse tempo. Nesse período, em que nos dedicamos a transformar o ambiente hospitalar, fizemos os hospitais virarem castelos, zoológicos, cenários de filme. Transformamos soros em poções mágicas, cadeiras de roda em máquinas automobilísticas, macas em naves espaciais. Vimos olhares preocupados darem lugar para lágrimas de tanto rir.

Essa transformação nem sempre é fácil, principalmente porque o mundo real continua ali, presente. Por isso, no dia de hoje (e em todos os outros) temos que agradecer muito cada pessoa entusiasta dessa transformação, a cada hospital que nos recebe de portas abertas, a cada empresa que apoia a nossa causa, a cada paciente e familiar que se permite acreditar na gente e, claro, cada integrante desse grupo que se doa diariamente para transformar.

Prometemos que vamos continuar empenhados nessa transformação, pois a maior lição que esses dez anos nos deram é que: TUDO É POSSÍVEL COM AMOR.

Ovo – Parte 2 – Por Dr. Graxinha

Essa história é uma continuação dessa aqui: https://bit.ly/2SDbGx0

Antes de mais nada, deixa eu me apresentar, meu nome completo é Dr GraxXxinha Triplou X, porém pode me chamar só de Dr Graxinha, ou Dr Gra, ou só Dr xinha, que rima com coxinha. Preciso fazer um adendo antes de dizer o que aconteceu com o ovo, com o KinderOvo na verdade, que era meu, porque o cara fortão me deu.

Vamos terminar essa história? Bom, era um kinderOvo e no fim eu comi. HAHAHA

A gente sabia que não poderia dar para um paciente, porque nunca sabemos qual a dieta alimentar que ele esta seguindo. Então, como uma luz no fim do túnel, lá no fim do corredor estavam duas crianças. Era nítido que não eram pacientes e sim que vieram visitar algum parente. Eram primos, uma menina e um menino. Porém para ganhar o KinderOvo era necessário pagar alguma prenda, óbvio! Nesse  caso seria fazer alguma dança. No começo eles era meio tímidos, como se estivessem em um palco com um monte de gente olhando, porém aos poucos foram se soltando e o menino começou a dançar, após a menina ensaiou alguns passos também.

Então, eram duas crianças e apenas um KinderOvo, porém eles partilharam o mesmo ovo, e de um ovo que iria ficar sem destino (porque a mãe do rapaz não poderia comer naquele momento) foram feitas duas felicidades. Nesse momento, foi-se o KindeOvo, que apareceu do nada e foi embora do nada. Igual como acontece com algumas pessoas em nossas vidas. Alguns anjos aparecem, ficam o tempo que devem ficar e depois se vão para outros lares, outros caminhos e outros planos, e no final o que ficam? As histórias para contar e relembrar.

O dia que ganhei o jogo que não sabia jogar – Dra. Maria Chica

Ao entrar naquele quarto, a Dra. Maria Chica e Dr. Narciso encontraram dois meninos jogando cartas. O Dr. sabia jogar, claro. Estava seguro de si. Já eu, Dra. Maria Chica, achei melhor observar, pois não sabia nada, mas não aguentei muito tempo e insisti com o Dr. Narciso para me ensinar e entrar na brincadeira. Ouvi atentamente que: para ganhar, teria que formar um trio.

Prontamente abracei os dois meninos e: O TRIO ESTAVA FORMADO! Simples assim, o jogo estava ganho. Com muitas gargalhadas, os pacientes tiveram que concordar com essa lógica.

E quem nunca tinha jogado cartas… ganhou o jogo e muitas gargalhas!

Ah! Dr. Narciso não concordou com o resultado, claro…

 

Tem o Rudi e tem o Nei – Por Dra. Neneca

Um dos nossos queridos hospitais esteve passando por uma situação nada fácil nos últimos tempos, tinha risco de fechar e, para se manter em funcionamento, enquanto guerreiros colaboradores seguiam por lá, tinha que ter pacientes. Apesar de todo o cenário, um paciente em especial também precisava ficar ali: o Rudinei. Ele sempre esteve lá e nos diz que é a sua casa. Se tornou o ‘refém’ mais feliz que poderia ser.
Durante uma das nossas visitas percebemos que ele não era um só paciente, mas sim o Rudi e o Nei. E de lá pra cá ele assumiu bem a dupla identidade. Mesmo com toda a sua dificuldade de oratória, a gente entende bem quando se trata de um ou de outro. Meio Ruth e Raquel, sabe? (talvez não seja do seu tempo). 
A verdade é que a risada do Rudi (e do Nei) ecoou por meses sendo o único som de alegria em uma imensidão de paredes, equipamentos e salas vazias.  Agora, com o Hospital se reinventando, seguimos na torcida para que ele encontre mais pessoas para apresentar a dupla identidade.

Ovo – Por Dra. Cri Cri

Primeiramente, deve-se explicar que os Doutores Besteirologistas estão orientados a recusar presentes, comidas, balas, chocolates, etc., dados pelos pacientes. Assim, como nenhum dos Drs. deve presentear com guloseimas os pacientes que são visitados.

Estabelecido assim, para o próprio benefício do nosso espectador maior: o paciente. Afinal não sabemos o histórico, os motivos que o fazem estar ali e qual a sua dieta estabelecida pela medicina tradicional.  Profissionalismo, não é mesmo!?

Nosso propósito é doar: sorrisos e amor! O presente é receber a atenção do olhar e os mais variados sorrisos.

Tudo bem explicadinho?

Poooorém, toda regra tem sua exceção, ou não?!

Uma situação atípica se instalou na atmosfera hospitalar.

Após ser presenteado pela Dra. Cri Cri com um ovo azul de plástico e recheado de grãos de feijão (na verdade era um instrumento musical ao estilo chocalho), Dr. Graxinha viu nele um método de abordagem e perguntou para as pessoas se eles queriam conhecer seu ovo azul (com todo respeito).

Já na entrada do salão do Hospital uma surpresa: Ao longe vinha em nossa direção um homem musculoso, jaqueta de couro, tatuado, barbudo com anéis em todos os dedos das mãos… e agora, abordar ou não? Sim! Na brincadeira do “você já viu meu ovo azul?” ele parou e interagiu. Disse que também tinha um ovo e do bolso puxou um Kider Ovo (aqueles que custam os zóios da cara, que vem com brinquedinho dentro de chocolate mesmo) e nos contou que tinha trazido para sua mãe, mas que chegou tarde. Ela teve uma piora e precisou ser internada às pressas na U.T.I.

Aquele homem que parecia bruto nos demonstrou o que já sabemos: as aparências enganam, pois naquele momento ele demonstrou sua sensibilidade e seus olhos encheram de lágrimas. Agradeceu o trabalho dos “palhaços” (vamos relevar essa parte) e nos pediu que aquele ovo de chocolate fosse passado a uma criança. Sabemos que não devemos aceitar comidas e também não devemos presentear os pacientes, mas naquele momento era IMPOSSÍVEL não aceitar.   Demos um abraço coletivo e foi a forma de dizer a ele: “desejamos que fique tudo bem” e nos despedimos. O ovo foi junto.

E aonde será que foi parar?

 

Parafusos – Por Dra. Sorridente

A acompanhante foi diagnosticada com riso frouxo altamente contagioso. Ela com tagarelice. Em poucos segundos contou seu nome, suas manias, o que gostava de fazer. Falou que de manhã estava tudo bem. Fez uma torta de bolacha gigante e ai teve o tal do piripaque. O famoso piripaque. Nos apresentou os colegas de quarto e falou, falou, falou. O marido chegou. “Como desliga a função fala?”. Sincero ele diz que se descobríssemos ele pagava o preço que fosse pela informação. Ela riu de se contorcer. Recuperou, respirou e nos disse que perdeu os parafusos. Ahhh esses parafusos.

Isabella era miúda. Pouco mais de 80 cm. No braço uma tala. Não falava nada, de início também não sorria. Somente os dedinhos abanando a denunciavam. Ela tinha gostado da gente. Sabe sombra? Ela foi. Onde íamos Isabella corria atrás. No fim dedinhos novamente acenavam e um sussurro de tchau escapou de sua boca.

E quem é essa que tá de jaleco, mas não usa o nariz, doutor? – Por Ligia A. Ferrony Rivas

– E quem é essa que tá de jaleco, mas não usa o nariz, doutor?  Pergunta o paciente ao doutor besteirologista, numa das visitas.

– Essa daqui é uma estagiária. Ela veio pra aprender! Responde o doutor besteirologista, com uma expressão de quem não tem muita certeza do que tá falando mas fala mesmo assim!

E essa pergunta e resposta se repete em muitas e muitas cenas. Vamos com os doutores nas visitas para observar suas intervenções, anotamos o número de leitos atendidos, número de quartos, perguntamos se há algum quarto que deve ser evitado, tiramos as fotos, estamos ali ao lado quando algo sai do controle. E falando assim pode até parecer desgastante, mas estar ao lado dos doutores em ação é balsâmico. Extasiante. É como se naquelas horas fôssemos convidadas de honra para entrar num mundo perfeitamente mágico e certamente divertido, no qual o poder do sorriso opera, remedia e cura.

Nosso conhecimento, enquanto psicólogas do Esquadrão, tem sido construído com muito cuidado, na interação com as demandas que vão surgindo. Nesses dez anos que o Esquadrão existe, muitos deles foram acompanhados pela Psicologia. Mas, como é costume, na nossa profissão, chegamos dispostas a observar e descobrir onde e como consolidaríamos nosso fazer. Aos poucos e com muito amor pelo grupo e pela causa, temos desbravado novas possibilidades e legitimado outras. Alguns pontos são claros no nosso fazer, atualmente. E se pudéssemos dizer que existem os dez mandamentos da Psicologia do Esquadrão da Alegria, seriam esses:

  1. Dar suporte aos membros que estiverem passando por dificuldades, sem poder conciliar seus fazeres com as atividades do Esquadrão.
  2. Participar no processo de seleção de novos integrantes, estando próximas aos candidatos, assim como acolher os integrantes, uma vez sejam selecionados.
  3. Participar, acompanhar e intervir  nas reuniões da diretoria, dando suporte e apoio psicológico a cada diretor auxiliando quando necessário nas tomadas de decisões.
  4. Acompanhar afastamentos e desligamentos.dos integrantes, dando suporte, avaliando possibilidades de retorno do integrante e diminuindo sentimento de culpa, desamparo ou pressão que possam existir.
  5. Ler relatórios de visitas, dos integrantes, avaliando e elencando pontos que devem ser socializados com o grupo.
  6. Participar de visitas, oficinas técnicas e reuniões. Fazer relatórios e dar feed back das visitas.
  7. Ajudar a construir oficinas (e eventualmente construir e ministrar) que possam aperfeiçoar atributos necessários para a ação dos clowns no ambiente hospitalar.
  8. Promover a aproximação do grupo para além dos dias oficiais a fim de que os vínculos de afeto e confiança fiquem mais fortalecidos.
  9. Transitar por todos os subgrupos que se formam por afinidade e manter uma linha de união que aproxime todos os subgrupos ao grande grupo.
  10. Ajudar de forma ampla em qualquer processo relativo aos eventos do esquadrão.

Porém, ser parte desse grupo abrange muito mais. A gente aprende e se surpreende a cada dia. Somos as maiores fãs dessas pessoas que dedicam parte da sua vida para aliviar os medos e dores dos outros.  Nas suas ações mostram que “amor” é verbo e não substantivo. Amor é fazer! Amor, no contexto do Esquadrão, é cuidado. Nós somos as que cuidamos desse grupo de “doutores em amor” para que eles possam cuidar dos pacientes. Cuidamos dos seus sorrisos para que eles possam fazer sorrir.

Finalmente, um profissional em Psicologia possui a escuta e a fala como duas ferramentas fundamentais para intervir. Acessamos ao paciente mediante esses recursos. O Clown, por outro lado, antes mesmo de chegar na porta do hospital, antes de falar qualquer coisa já traz na vestimenta e no nariz, a sua intervenção. Nós, psicólogas do Esquadrão sempre nos fascinamos quando vemos que o clown já vai andando e mudando a realidade do hospital sem sequer falar. É tanto sorriso que emerge só de ver um Clown chegando!!

Então, quando um doutor besteirologista diz para um paciente que “Ela é uma estagiária” referindo-se as psicos do Esquadrão, em pensamento concordamos: eles tem razão…por mais anos e experiência que tenhamos na Psicologia, o domínio do Clown é um domínio que contemplamos, aplaudimos mas sempre estaremos na borda, sempre estaremos na volta. Sempre estaremos aprendendo!

Esquadrão da Alegria participa de Conferência Distrital de Rotaract Club’s

A ONG Esquadrão da Alegria esteve presente na Codirc Black and White – Distrito 4780, a Conferência Distrital de Rotaract Club’s, que aconteceu nos dias 23 e 24 de junho, em Santiago, Rio Grande do Sul.

O evento tem como objetivo celebrar vivências e histórias dos 50 anos do Programa Rotaract e capacitar ainda mais jovens líderes.

O ONG foi convidada para falar um sobre os aprendizados no ambiente hospitalar que podem ser levados para qualquer ambiente. Claro que também teve muita consulta com as Dras. Besteirologistas, que garantiram o riso frouxo dos participantes.
Fotos: KayoeJana Machado

O mundo encantado do Hospital – Por Dra. Abelhuda

Estavam as Dras. Neneca Ling Ling e Abelhuda terminando sua visita no andar infantil quando, de repente surge no corredor nada menos que: UMA PRINCESA. Princesa de verdade, com direito a carruagem!

O vestido era de cetim cor de rosa e a carruagem  até lembrava uma cadeira de rodas, mas não para nós. A princesa é a Maria Cecília, no auge dos seus três aninhos. Não podíamos perder a oportunidade de acompanhar uma princesa  até o seu castelo (tem quem diga que era um quarto hospitalar, mas não pra nós).

A enfermeira, que nesse momento já era assistente de princesa, colocou ela na sua cama encantada, onde ficou sentadinha. Ela ainda não sabia quem eram aquelas Doutoras Besteirologistas, mas nós já éramos suas súditas. Os pezinhos e dedinhos, delicados como de costume para uma princesa, conversavam e interagiam entre si. Ela estava um pouco tímida, mas tranquila. Seus pais, rei e rainha, estavam muito felizes. Para eles, todo aquele momento já era real, tudo havia dado certo na cirurgia e agora a princesa estava no castelo.

Não sabíamos, mas a princesa Maria Cecília adorava bolhas de sabão. Nós, claro, atendemos ao seu desejo. Ela estourava com as mãos, pés, nariz… O castelo já estava cheio de luz e felicidade. A mãe, rainha, ria e chorava ao mesmo tempo. O pai, rei, já tinha virado fotógrafo registrando todos os momentos. Para nós, súditas, a despedida foi flutuando, energizadas e felizes.

Que momento em um castelo!