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Um voo e tanto! – Por Dra. Neneca

Visita de carnaval com bloco do Esquadrão da Alegria é uma loucura. Cores, alegria, música e muita fantasia, claro. Chegando no corredor já encontramos o Batman. Ele estava cheio de energia e começou a brincar com os Drs. Também foi ele que ajudou a chamar todos os amigos nos quartos para a festa do corredor. Em um doa quartos já encontrou o  Flash, que saiu velozmente pra garantir a festa. O Batman ainda ajudou na distribuição de lanches saborosos pra todos, ele realmente podia tudo naquele dia. Enquanto isso, o Flash cantava, entrava no trenzinho muito feliz e puxava as brincadeiras. No final, o Batman percebeu que ele a Dra. Neneca tinham mais uma coisa em comum, além da alegria de estar ali: uma capa! A Dra. perguntou se ele queria voar junto com ela e seus olhinhos brilhavam na mesma intensidade com que seu sorriso aumentava. Ele não queria parar de voar! E espero que não pare nunca.

Amor fisioterápico – Por Dra. Cacá

Em um dos quartos, no Hospital Universitário, em Canoas, e entramos num quarto com uma menina deitada e muito quietinha na cama. A sua mãe, naquela posição clássica das mães, o lado.

A paciente não interagia e foi aí que a Dra. Cacá puxou a mágica e famosíssima bolinha de sabão. Eis que a menina começou a caçar as bolhas no ar. Até as mais altas, ela fazia um esforço para capturar com as mãos.

Imediatamente a mãe ficou muito emocionada e, vendo ela com os olhos marejados, não entenderam nada, mas seguiram com a bolhas, afinal a caça estava forte. Até que a mãe nos contou que a fisioterapeuta estava tentando há dias que a menina movimentasse o braço, sem sucesso. E agora estava ali movimentando muito em busca das bolhas de sabão.

A Dra. Cacá sempre soube que essas bolhas eram mágicas.

 

Segredo de família – Por Dra. Aquarela Tagarela

Já dizia o poeta: “leve a vida leve”. O Sr. Val parece que entendeu bem a ideia, com seus incríveis 70 kg, no auge de seus 97 anos, a única queda que ele demonstrava ter tido foi a de cabelo.

Ao adentrarem a um dos 20 quartos visitados naquela manhã, Dra. Aquarela Tagarela ficou sem palavras, e Dr. Estilingue que estava bem falante, também ficou um tanto encabulado. Na roda de samba, digo, de conversa do Sr. Val estavam o filho e o neto (com a mesma queda sofrida, cabelos ralos) e a filha.

Naquela manhã chuvosa o papo rolava solto e os sorrisos eram contagiantes, os Drs queriam a fórmula mágica para chegar a aquela idade com tamanha vitalidade, Sr. Val desconversava e nada revelava. Contou que a moça do banco estava na fila de pretendentes, que a filha já fora confundida com a esposa, que o filho mais velho havia falecido, mas a fórmula fingia ter esquecido.

Conversa vai e conversa vem, Dra Aquarela Tagarela toca no assunto outra vez: – Sr. Val mas o Sr não nos contou qual o segredo para chegar a esta idade com essa alegria e vitalidade! Prontamente o Neto, sentado de canto nos olha e especifica: Isso é um segredo de família.

Sendo assim os Drs. disparam em direção a porta, escapando daquela que podia ser uma receita simples, cabulosa ou reveladora. Risos rolaram soltos naquele quarto, a receita estava mantida em segredo.

Mas certamente, o principal ingrediente daquela receita era o amor que estava vibrando entre aquelas quatro paredes. Não há vida longa, sem amor, companheirismo e riso. Vida longa ao Sr. Valdomiro e aos segredos de família.

Energia boa e aquele autógrafo – Por Dra. Abelhuda

Numa tarde ensolarada, Dras. Abelhuda e Neneca Ling Ling foram fazer visita no Instituto de Cardiologia Infantil e se depararam com a brinquedoteca lotada de crianças. Uma delas era o Kevin que devia ter uns 3 aninhos, lindo e muito feliz, cantou músicas inteiras para as Doutoras e todos que estavam ali. Mas o que chamou mais atenção era que o Kevin dizia em alto e bom som: “Amanhã eu vou fazer cirurgia!”. Para ele era como se fosse um prêmio que ele receberia. E poderia ser mesmo, era nítida a alegria da criança por isso, a empolgação contagiava a todos. Era maravilhoso ouvir e sentir aquela positividade com a qual ele encarava a situação. Como não nos envolvemos com os procedimentos hospitalares de cada um, só podíamos torcer para que tudo desse certo. 

 

Quinze dias depois, Dras. Abelhuda e Poronga estavam saindo da visita dos adultos e quem encontraram na sala de espera da recepção? O Kevin e sua mãe, ele lindo, vestido com uma camiseta do Grêmio, aguardando quem viria buscá-los para levá-los a sua cidade no interior do estado.

 

Dra. Abelhuda olhou para aqueles olhos maravilhosos e disse que conhecia aquele jogador do Grêmio. E ele disse que conhecia a Dra. Abelhuda, que ficou emocionada pela lembrança. 

 

Dra. Poronga prontamente disse que ele era muito famoso e que queria um autógrafo. Kevin sentiu-se muito importante e deu autógrafos para as duas, que saíram muito felizes e realizadas.

 

Aquele autógrafo vai ficar sempre guardado com muito carinho e alegria. 

Quando Maria Chica precisou não ser Maria Chica – Por Dra. Maria Chica

As Dras. Maria Chica e Hema Tonta estavam entrando no último quarto da visita, onde a paciente estava dormindo, e a acompanhante acordada! As Dras. estavam interagindo com a acompanhante que resolveu acordar a paciente dizendo “olha quem veio lhe visitar”.

Neste momento a paciente acordou e no que olhou para as Dras., acabou confundindo a Maria Chica com uma amiga que havia ficado de visitar ela! A alegria em ver a Maria Chica foi tanta, que a paciente dizia que não acredita que ela havia ido mesmo lhe visitar. Vendo toda a situação, as Dras. decidiram não desfazer a confusão, sem desmentir que na verdade quem estava com ela era a Maria Chica e não a amiga que ela esperava! Naquele momento para a paciente era muito mais importante ver a amiga dela do que a Maria Chica.

A paciente pediu para segurar a mão de Maria Chica e segurando a mão disse que ela era um anjo. Maria Chica procurou não falar muito, para a paciente não perceber que não era a amiga que ela estava esperando. As Dras. saíram do quarto muito felizes e a paciente ainda mais feliz com a visita tão esperada recebida.

 

O quarto dos superpoderes – Por Dra. Abelhuda

Estavam os Drs. Abelhuda, João Alfredo e Pitoka, iniciando a visita quando encontraram um menino de dois anos andando com seus pais pelo corredor. Ele, um pouco tímido, não quis interagir com os Drs., que logo observaram seu lindo cabelo cheio de cachinhos e disseram que encontrariam ele no quarto.

Ao adentrar o segundo quarto da visita lá estava o Gabriel, a menina Natalia e seus acompanhantes. A primeira reação do Gabriel foi colocar as duas mãozinhas na frente dos olhos. As Dras. disseram que não estavam enxergando o Gabriel e o Dr João Alfredo disse que ele tinha poderes de invisibilidade. Procuraram nos banheiros do quarto, embaixo das camas e não encontravam o menino. Pediram ajuda para Natália e ela disse que enxergava o Gabriel

Dra Abelhuda até tentou ficar invisível , se escondendo atrás da maleta, mas não conseguiu. Todos riam o tempo inteiro. Dras. Abelhuda e Pitoka observaram os lindos olhos da Natália e o Dr. João Alfredo descobriu que ela tinha o poder da visibilidade.

Às vezes o menino espiava entre os dedinhos e as Dras. achavam que viam o Gabriel, mas logo ele desaparecia.  Os Drs. elegeram o quarto como “ quarto dos superpoderes” e saíram, pois teriam que tentar encontrar poderes para eles.

Mas o maior poder já tinha sido encontrado, o empoderamento do paciente e a alegria de todos. Missão cumprida

Elefante Colorido – Por Dra. Cacá

Em uma visita ao Instituto de Cardiologia, a Dra. Cacá ganhou do Matheus um desenho para pintar. Era um elefante que ele queria que estivesse bem bonito e fosse mostrado na próxima visita.

Após o plantão começou a responsabilidade. Comprei lápis de cor e, prontamente, o elefante estava pintado. Estava tão lindo e colorido que não deu pra aguentar e esperar até a próxima visita. Tirei uma foto e mandei por zap zap para que a Piscopedagoga do hospital, Renate, pudesse mostrar para ele imediatamente.

Na semana seguinte voltei ao Hospital e perguntei por ele. Não costumamos perguntar sobre os pacientes, mas eu precisava saber o que ele tinha achado do elefante. Infelizmente Matheus havia virado uma linda estrela e esse é um dos momentos mais difíceis da vida na Besteirologia. Mas a Renate contou que um dia antes, ela mostrou o elefante pintado e ouviu: “A Dra. Cacá fez o elefante mais lindo do mundo”.

Naquele momento o último sentido foi de que: um elefante colorido fez toda a diferença. O desenho a Dra. Cacá ainda guarda com muito carinho. E essa, sem dúvidas, é a história mais marcante e desafiadora da carreira dela. Até aqui.

Riso-Fixo, Boleiro, Super-homem Aranha e Moranguinho – por Dr. Som Rizal

Em um dos quartos da pediatria, nos deparamos com várias crianças. Daqueles quartos bem lotados mesmo e com tantas personalidades.

Quando aparecemos na porta, uma delas, uma menininha, começou a chorar e agarrou-se na mãe. Parecia até que tinha visto algum palhaço. Pelo menos éramos nós, Drs. Bestereirologistas (que por vezes também temos medo de palhaço). Tapamos o rosto com o jaleco para que ela não pudesse nos ver mais e seguimos plantão com as demais crianças daquele grande quarto.

Eu, Dr. Spoleta, conversava com uma menina que acho que tinha pego um vento no rosto e acabou travando com um sorrisão bem grande. Desde que entramos, não deixou de olhar para a gente um só minuto. No entanto, não falava uma palavra com os demais Doutores. Mas pelo menos o sorriso se mantinha sempre presente.

Outro, um guri com cheio de estilo, estava vidrado no celular vendo um filme. Chegou a tirar um dos fones para escutar o que estávamos falando, mas não nos deu muita moral. Claro! Atrapalhamos o filme dele.

Tinha também o Super Homem Aranha: o menino que vestia a camiseta do Super Man, contudo, usava a máscara do Spyder Man. Devia ser algum tipo de fusão entre os dois super-heróis. Achamos incrível.

Ah! E aquela mocinha chorona que eu citei  lá no início, agora estava bem séria, olhando pra gente. Não chorava mais. Também não conversava. A mãe do Super-homem Aranha havia dito que ela era bem brava mesmo, brigava bastante com a mãe dela e com as enfermeiras. Ela estava vestida de Moranguinho. Dr. Spoleta notou que na guarda da cama, haviam asinhas de fada (ou borboleta, não soube distinguir) pendurada. Começamos a conversar com ela e no final ganhamos até um sorriso.

Claro, foi no momento em que falamos “Tchau, Moranguinho! Estamos indo”.

Há boatos de um sorriso – Por Dr. Ado

Toc.. toc… toc…
Podemos entrar?
Um senhor um tanto tímido diz que “sim” com a cabeça e avisa sua mãe:
– Tem visita pra senhora
Os doutores João Alfredo e Dr. Ado entram no quarto e se aproximam da senhorinha.
Dr. Ado diz pra ela em tom de voz mais baixinha:
– “Olha dona Dilma, estão rolando uns boatos no corredor de que a senhora tem um sorriso lindo, daí nós viemos ver se era verdade.
Ela disse bem séria: “quem está falando?”
Doutores: “Todo mundo, é um mundarél de gente falando isso… não acreditamos e viemos ver.
Dona Dilma olha para os doutores um tanto séria e abre um sorriso. Um sorriso em que os olhos também sorriram. Um sorriso que era esperado por todos naquele quarto. Um sorriso que tenho certeza, só existe aquele!
Dona Dilma parou uns segundos e deu mais um sorriso.
Os Doutores presenciaram e diagnosticaram que aquilo era sim um verdadeiro sorriso LINDO, e não eram boatos não, eram as mais puras verdades que falavam pelos corredores.
Então os doutores falaram para ele que tinham que organizar para todas as pessoas verem aquele sorriso.
Dona Dilma um tanto espantada disse: Não posso “RIR” lá, minhas pernas estão quebradas.
Doutores: Não tem problema, as pessoas virão aqui ver esse sorriso, a gente vai lá chamar! Vamos organizar tudo, vamos mandar um por um aqui para a senhora dar o sorriso.
Cada um que entrar aqui e olhar para a senhora, é só abrir um sorriso, pois foi a gente que mandou.
Dona Dilma concordou com o “acordo acordado no acordo que os doutores tinham acabado de acordar” e os doutores seguiram o plantão.
E assim termina mais um plantão, entre todos os fracassos da vida de um palhaço, sempre existe o momento em que se vira o jogo.Obs: No momento que a Dona Dilma abriu o primeiro sorriso vale lembrar uma frase que os doutores ouviram de um de seus acompanhantes: “Olha, que milagre, ela não ri por nada”
A diferença é que os doutores não acreditaram que isso fosse verdade, também não acredito em milagres,, acredito no poder do amor verdadeiro do ser humano. Daí sim, a partir disso, qualquer “milagre” acontece.

 

ONG Esquadrão da Alegria completa 10 anos

As vezes fica até difícil acreditar que passou todo esse tempo. Nesse período, em que nos dedicamos a transformar o ambiente hospitalar, fizemos os hospitais virarem castelos, zoológicos, cenários de filme. Transformamos soros em poções mágicas, cadeiras de roda em máquinas automobilísticas, macas em naves espaciais. Vimos olhares preocupados darem lugar para lágrimas de tanto rir.

Essa transformação nem sempre é fácil, principalmente porque o mundo real continua ali, presente. Por isso, no dia de hoje (e em todos os outros) temos que agradecer muito cada pessoa entusiasta dessa transformação, a cada hospital que nos recebe de portas abertas, a cada empresa que apoia a nossa causa, a cada paciente e familiar que se permite acreditar na gente e, claro, cada integrante desse grupo que se doa diariamente para transformar.

Prometemos que vamos continuar empenhados nessa transformação, pois a maior lição que esses dez anos nos deram é que: TUDO É POSSÍVEL COM AMOR.