Espera e conexão – Por Dra. Assuntina

Por várias vezes durante a visita passamos por umas quatro pessoas no corredor, que estavam aguardando alguma notícia da sala de cirurgia.

Escoradas na  parede, ansiosas, um olhar que parecia preocupado mesmo. Não é muito fácil ser especialista em besteiras nessa hora, mas conseguimos de leve quebrar um pouquinho da tensão com um olhar, um sorriso e sabendo a hora certa de se retirar também.

No final da visita, depois de muitos diagnósticos besteirólogicos para os mais diversos pacientes, lá estavam eles ainda, na porta da sala cirúrgica. Antes de entrarmos no último quarto, eu, Dra. Assuntina, pude ver a enfermeira saindo pela porta. Aquela aflição já era minha também e aí veio a frase:

– A Rafa está linda!

Aquilo imediatamente foi traduzido como “deu tudo certo”. Eu, esperando a Dra. Abelhuda abrir a porta do último quarto, estava muito próxima da família da Rafa quando receberam a notícia.

Pude sentir a respiração de alívio e a emoção deles. Senti junto, lembrei de momentos além da Besteirologia, me vi mãe naquela situação mesmo que por um instante. Dra. Assuntina, quando menos percebi, já estava emocionada com eles, olhei e senti uma conexão imediata como quem diz: “eu sinto o que você sente e sei como é”.

Não precisamos palavras, eles entenderam e eu segui para o encontro da minha colega Dra. Abelhuda para seguir o plantão.

 

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