Ovo – Por Dra. Cri Cri

Primeiramente, deve-se explicar que os Doutores Besteirologistas estão orientados a recusar presentes, comidas, balas, chocolates, etc., dados pelos pacientes. Assim, como nenhum dos Drs. deve presentear com guloseimas os pacientes que são visitados.

Estabelecido assim, para o próprio benefício do nosso espectador maior: o paciente. Afinal não sabemos o histórico, os motivos que o fazem estar ali e qual a sua dieta estabelecida pela medicina tradicional.  Profissionalismo, não é mesmo!?

Nosso propósito é doar: sorrisos e amor! O presente é receber a atenção do olhar e os mais variados sorrisos.

Tudo bem explicadinho?

Poooorém, toda regra tem sua exceção, ou não?!

Uma situação atípica se instalou na atmosfera hospitalar.

Após ser presenteado pela Dra. Cri Cri com um ovo azul de plástico e recheado de grãos de feijão (na verdade era um instrumento musical ao estilo chocalho), Dr. Graxinha viu nele um método de abordagem e perguntou para as pessoas se eles queriam conhecer seu ovo azul (com todo respeito).

Já na entrada do salão do Hospital uma surpresa: Ao longe vinha em nossa direção um homem musculoso, jaqueta de couro, tatuado, barbudo com anéis em todos os dedos das mãos… e agora, abordar ou não? Sim! Na brincadeira do “você já viu meu ovo azul?” ele parou e interagiu. Disse que também tinha um ovo e do bolso puxou um Kider Ovo (aqueles que custam os zóios da cara, que vem com brinquedinho dentro de chocolate mesmo) e nos contou que tinha trazido para sua mãe, mas que chegou tarde. Ela teve uma piora e precisou ser internada às pressas na U.T.I.

Aquele homem que parecia bruto nos demonstrou o que já sabemos: as aparências enganam, pois naquele momento ele demonstrou sua sensibilidade e seus olhos encheram de lágrimas. Agradeceu o trabalho dos “palhaços” (vamos relevar essa parte) e nos pediu que aquele ovo de chocolate fosse passado a uma criança. Sabemos que não devemos aceitar comidas e também não devemos presentear os pacientes, mas naquele momento era IMPOSSÍVEL não aceitar.   Demos um abraço coletivo e foi a forma de dizer a ele: “desejamos que fique tudo bem” e nos despedimos. O ovo foi junto.

E aonde será que foi parar?

 

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